Americo
Docha Neto nasceu na cidade de São Paulo, em 1946.
Atualmente é biologista do Projeto Orchidstudium.
1. O gosto pela Orquidofilia e
Orquidologia: um histórico
O primeiro interesse pelas orquídeas surgiu quando ainda menino
em 1955, durante as férias escolares, no final daquele ano na
Praia do Guaiúba, situada na Ilha de Santo Amaro, próximo
ao Guarujá. Naquele tempo gostava de fazer incursões
pelas trilhas da Mata Atlântica do Morro do Forte dos Andradas
para apreciar a beleza da paisagem litorânea lá de cima.
Em um destes passeios mata adentro, depararou com uma belíssima
planta florida, fixada sobre uma árvore. Não teve
dúvida em coletá-la para que os seus familiares pudessem
compartilhar a beleza das flores, lembrando que tão logo
retornou, sua mãe foi logo afirmando que se tratava de uma
orquídea, termo este absolutamente desconhecido para ele
até então. Esta planta é a primeira
orquídea que permanece com ele até hoje. Somente anos
mais tarde veio a descobrir que se tratava de uma
Laelia purpurata Lindl.
Sua família residia no bairro do Jardim
América, na
capital de São Paulo, até os seus 15 anos quando se
mudaram para o bairro do Brooklin. Foi aqui que conheceu e se tornou um
grande amigo dos irmãos Meyer Pflug. O mais novo, João
Alexandre e o mais velho, o saudoso Peter Meyer Pflug, falecido alguns
anos atrás, que mais tarde fundaria o Orquidário Morumby.
O pai deles era orquidófilo cujo conhecimento havia adquirido
ainda na sua terra natal, a Alemanha. Para garantir uma renda extra,
fazia a manutenção dos vasos a orquidários de
famílias abastadas que viviam na Chácara Flora. Para
manter os filhos ocupados, após o término das tarefas
escolares, cada um deles tinha o dever de ajudá-lo no replantio
dos espécimes, confecção dos pendurilhos de arame,
identificação, adubação e etiquetagem. Como
o Americo sempre estava na companhia deles, inclusive ajudando-os na
tarefa, já que sempre havia pelo menos 20 a 30 vasos, acabou
aprendendo as técnicas que continua utilizando até hoje.
Mais tarde, por força das contingências e
compromissos
por conta de trabalho e estudos, cada qual seguiu o seu caminho. Com
isto, a orquidofilia foi deixada para segundo plano. A sua vida
profissional começou muito cedo e como sempre tivera uma queda
pelas Ciências Biológicas, logo foi arranjando empregos em
laboratórios onde começou lavando frascos. Em seguida fez
um curso de Técnico de Laboratório em Análises
Clínicas oferecido pelo Laboratório Central do Hospital
das Clínicas da FMUSP em São Paulo, e após o seu
término prestou concurso público e passou a trabalhar
lá. Assim, em seguida ingressou no curso de
graduação que foi realizado à noite, já que
necessitava manter o seu emprego para custear os estudos. Já
graduado, prestou novo concurso de seleção interna no
Hospital das Clínicas para ocupar o cargo de nível
superior de Biologista e foi aprovado, sendo que lá permaneceu
por muitos anos, sempre trabalhando nas bancadas dos
laboratórios. Concomitantemente, juntamente com outros colegas,
montou um pequeno laboratório que manteve por 12 anos. Em 1987,
procurando novos horizontes e melhor qualidade de vida, já
casado e com dois filhos pequenos, mudou-se para Poços de Caldas
onde reside até hoje.
Continuou a trabalhar em laboratórios por muitos
anos,
porém a sua paixão pelas orquídeas permaneceu
latente e sempre manteve algumas dezenas de vasos. Aos 51 anos
aposentou-se, mas ainda continuou trabalhando por mais sete anos,
até fevereiro de 2004. Entretanto, desde os 48 anos, resolveu
diminuir o ritmo de trabalho para se dedicar ao aprendizado do ciclo de
vida das Orchidaceae. As suas primeiras experiências de
nível científico começaram com a
reprodução assimbiótica "in vitro" de sementes de
orquídeas, já que o seu conhecimento prévio com
instrumentos e equipamentos laboratoriais lhe facilitava a
compreensão e realização das várias etapas
do processo. Na medida em que realizava os trabalhos laboratoriais de
botânica, fazia a polinização assistida e ia
obtendo mais cápsulas, de modo que passou a ter uma boa
experiência prática neste setor. Prosseguindo, continuou
evoluindo, e passou a se interessar pela taxonomia botânica,
quando começou a colecionar e cultivar uma quantidade maior de
espécimes, enfatizando as espécies brasileiras que
continua a estudar até hoje. Em 1999, aos 53 anos, tendo uma
visão futurista, passou a manter contato com o Círculo de
Orquidófilos de Poços de Caldas, onde logo foi admitido
como sócio, para no ano seguinte passar a ocupar o cargo de
Diretor Técnico, do qual permanece afastado por falta de tempo
para se dedicar."
Foi um dos idealizadores do Projeto Orchidstudium, juntamente com
Dalton Holland Baptista, cuja finalidade é divulgar e propagar o
conhecimento das orquídeas brasileiras. Nos últimos anos
tem se
dedicado ativamente ao estudo e
fotografia das orquídeas. Recebeu quatro premios em concursos
fotográficos de orquídeas e atualmente participa dos
mesmos como jurado. Mais de uma centena de suas fotos podem ser
encontradas em diversos sites especializados da Internet, grande
quantidade delas no website Internet Orchid Species Photo Encyclopedia,
de Jay Pfahl.
Tem publicado artigos no Boletim da Coordenadoria das
Associações Orquidófilas do Brasil, Orchid Digest,
Orchids - The Magazine of American Orchid Society e Selbyana
além de ser um dos autores do terceiro volume da Coletânea
de Orquídeas Brasileiras.
Em maio de 2006, como parte do Projeto Orchidstudium,
lançou o CD Trabalhos Individuais I e em
parceria com Dalton Holland Baptista e Marcos Antonio Campacci o
Enciclopédia Fotográfica de Orquídeas Brasileiras
I, fruto de aproximadamente 10 anos de pesquisas.
O Projeto Orchidstudium
A partir de setembro de 2006, com o afastamento de
Marcos Antonio
Campacci, o Projeto Orchidstudium, permanece sob a
direção de Americo
Docha Neto e Dalton Holland Baptista. Novas metas foram traçadas
culminando com o lançamento da pedra fundamental que originou o
periódico
científico Orchidstudium do qual são os editores chefes.
Esta é uma iniciativa que é oferecida a toda a comunidade
científica
nacional e internacional, inteiramente sem fins lucrativos, cujos
números são oferecidos online e que podem ser baixados
diretamente no
site, no formato pdf. Já nos primeiros números, do
primeiro volume,
foram publicados vários trabalhos, sobretudo de revisão
taxonômica
de gêneros e espécies e um trabalho de citogenética
de orquídeas em
parceria com Mateus Mondin da ESALQ-USP. Com Adarilda P. Benelli,
bióloga da Universidade de Mato Grosso, que descobriu uma nova
espécie de Orchidaceae vegetando às margens do Rio
Culuene, no Alto Xingu, identificada, batizada, ilustrada e descrita
como Alatiglossum
culuenense Docha Neto & Benelli.
Como parte das novas metas, também foi criada uma
galeria de fotos online, uma iniciativa sem fins lucrativos, no
qual o Projeto Orchidstudium, já disponibiliza próximo de
2500 fotos em
miniaturas que ao serem clicadas levam a uma foto maior, com a
nomenclatura atualizada e a respectiva sinonímia. A
função da galeria é auxiliar a comunidade
orquidóloga
nacional e internacional a identificar as espécies,
sendo um complemento da Enciclopédia Fotográfica para
aqueles que fazem questão de saber como andam as mudanças
inevitáveis dos nomes dos taxa, bem como a
correção de eventuais erratas, inevitáveis,
detectadas
após o lançamento dos volumes dos CDs disponíveis.
Para que esta
iniciativa pudesse se concretizar, considerando-se o volume imenso de
dados digitais disponibilizados, tivemos que mudar, transferindo as
informações para um provedor de conteúdo
estrangeiro que nos oferecesse
mais espaço, aliado a uma taxa de transferência de dados
bem mais
elevada, para que se evitem congestionamentos por excesso de visitantes
simultâneos e também para que pudéssemos manter a
qualidade das fotos.
Infelizmente, a manutenção de um site das
proporções do Orchidstudium
nos toma muito tempo além do ônus, que não é
barato. Desta forma, para
que possamos dar continuidade ao projeto, os nossos CDs são
comercializados de modo que os recursos obtidos são
integralmente
canalizados para a manutenção do site e as outras
iniciativas que são
oferecidas graciosamente ao público.
Ainda com relação ao Periódico
Orchidstudium, ampliando ainda mais
os horizontes, no sentido de solidez e credibilidade dos trabalhos
publicados, a partir de janeiro de 2007, juntaram-se a nós o
Prof.
Mateus Mondin - ESALQ USP, na qualidade de Editor Assistente e Eduardo
Leonardecz - Universidade Católica de Brasília, na
qualidade de Editor
Técnico. O periódico, já normatizado, tem um Corpo
Editorial. Participam conosco varios especialistas das diversas
áreas do
âmbito da Orquidologia, nacional e internacional, para a
análise preliminar dos
trabalhos que são enviados para publicação.